Jovens da IQC



Uma sociedade virada do avesso

Todos os dias, todas as horas, defrontamo-nos com o avanço dos males sociais. Violência, perversões, criminalidade, drogas, epidemia de gestações na adolescência exibem a face assustadora de uma sociedade que se extraviou dos limites. Uma sociedade que, por infinitos modos e tecnologias, muito mais deseduca do que educa. Uma sociedade onde o balconista do bar comete delito se vender cigarro a uma menina de 12 anos, mas sai na boa se a levar espontaneamente para a cama.

Todos os professores, preocupados com bem estar estar e com a educação dos seus alunos, proclama, agora, a imensa dificuldade de o fazer perante a furiosa indisciplina instalada nas salas de aula. Poucos pais que não tenham deixado as suas responsabilidades e estes deixam de reportar o atrofiamento da sua autoridade e fracassos nas suas tentativas de impor limites. Estou a falar do mundo e da vida.

O que ocorre sob as nossas janelas e chega-nos pelo noticiário não faz mais do que expressar decorrências de uma mentalidade que primeiro abalou e agora destrói as instituições. Quais instituições? Nada de importante, apenas coisas fora de moda e motivos de gozo, assim como família, igreja, poderes de Estado, escola, hierarquias num sentido amplo, bem como tudo que daí deriva: ordens, mandamentos, leis, obrigações, direitos alheios e até mesmo aquele decadente respeito natural pelos mais velhos. Sem instituições não há autoridade e sem autoridade não se preservam valores.

Sou conservador por manter uma inconformidade juvenil perante este retrato. Diariamente não penso no mundo como quem está a sair, mas como quem está a chegar. Sei (e creio que poucos deixam de saber comigo) que o vício é a adesão a hábitos que levam ao mal, e que a virtude, pela calçada oposta, é a adesão a hábitos que conduzem ao bem. Sei que uma sociedade se ergue pela vereda da virtude e desanda pelas avenidas do vício. E sei que o oxigênio da virtude flui pelas instituições, que precisam ser sólidas e, também elas, virtuosas: família, Igreja, Estado, escola e assim por diante.
Não sem pesar reconheço que este artigo será visto como “antiquado” e politicamente incorrecto, de uma ponta a outra. Com efeito, construímos uma sociedade na qual a virtude se oculta encabulada e o vício ganha posição de relevo; onde aquela fica reservada ao foro mais íntimo e este é proclamado do alto dos telhados. Depois, repete-se o que não me canso de denunciar na área política: totalmente desinteressados das causas, passamos ao zombar das consequências.

Dave Welch


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