Jovens da IQC



A Família

As Famílias, progressivamente, vão deixando de ser como as Famílias de outrora! Outrora estas eram numerosas. Havia: os avós, os pais, os filhos, os netos… Todo este conjunto de membros, constituíam o quadro familiar. Naqueles tempos memoráveis, o ambiente era cálido e de uma tal solidez, que hoje nos parece utopia!

À hora da refeição o cheiro da comida impregnava o ar, convidando cada membro a reunir-se à volta da mesa. O repasto era acompanhado pelo riso das crianças, jovens e adultos… das advertências dos pais, dos avós… da alegria de todos…

À noite, que enlevo! A boa disposição enchia, em profusão, o Lar! O jantar era uma festa! Cada um tinha uma boa piada para contar, um conselho para pedir, algo para partilhar. Os membros da Família tinham, entre si, laços indissolúveis de coesão, de coerência… no paralelismo de ideias e ideais. O ajuntamento, no lar,  era uma hora suprema! Parecia aureolado por um esplendor místico! A satisfação, o gozo, a exultação de espírito… resplendeciam em cada rosto!…

As Famílias, hoje, apenas estão esboçadas por velhos retratos, ou por reminiscências de um passado remoto! Os divórcios, de forma assustadora, vão quebrando os laços de união. As famílias uni-parentais vão crescendo de forma alarmante! A evolução dos tempos, o consumismo, a correria para alcançar objectivos – muitas vezes fúteis e fogazes-. A recessão… tudo isto são factores que vão esbatendo as cores vivas e alegres, que emolduravam o quadro da FAMILIA, substituindo por tonalidades frias, esvaída, apagadas…

Hoje, são poucas as Famílias que comem juntas, dialogam ao serão… Outros programas: televisivos, Internet, games…vão substituindo, o que de tão deleitoso havia no seio da Família!

Muitas Mães não podem estar presentes à hora da refeição.

As crianças que frequentam colégios, escolas… só à noite regressam a casa que já não é o “LAR DOCE LAR”. E, para muitas delas, apenas lá está o pai ou a Mãe… para os receber, porque, a outra parte, “ausentou-se” por não querer mais fazer parte daquele elenco onde tudo já foi ensaiado e representado…

O jantar, quantas vezes frugal, é acompanhado apenas pelos programas de televisão.

As crianças já não riem… Estão exaustas, birrentas, nervosas…

Os jovens, apressados, não tem tempo para ouvir os pais. Os amigos e outros programas “mais aliciantes” os esperam…

Os cônjuges parecem ter já esgotado o diálogo…

Nunca as pessoas estiveram tão próximas… porém, tão distantes umas das outras!…

No PALCO DA VIDA, muitas Famílias estão sós, stressadas, semobjectivos…

– Onde ficou o riso das crianças?

– Onde ficaram os avós?

– Onde ficaram as Famílias numerosas?

O riso das crianças foi-se perdendo, paulatinamente, pelos tempos… Cada vez mais, o seu eco vai-se perdendo, tornando-se tíbio…

Os Avós estão no Lar de Terceira Idade. Num Lar que eles não ajudaram a edificar… que não perspectivaram… que não fez parte de seus sonhos… E, onde os rostos dos familiares foram,substituídos, por rostos empedernidos pela solidão, pelo desgosto, pela castração do Lar Doce Lar…

As Famílias numerosas já não existem… Há que controlar a natalidade, porque não há tempo, não há espaço… para as Crianças, para os Idosos!

– A quem se imputarão as culpas desta destruturação Familiar?!

Há que dar o grito de “SOS”!

– Viver mais para a Família.

– Sorrir mais à Criança que estende seus braços ao afago.

– Escutar mais o adolescente que vai construíndo, sózinho… seu futuro que deve ser alicerçado pelo amor, compreensão, orientação…

– Apurar mais o ouvido para escutar a voz do Idoso que, com o seu saber, a sua experiência de vida… poderá enriquecer, direccionar, advertir…

– Tornemos a dar as mãos e voltemos a reconstruir o nosso Lar, fazendo nele raiar a luz esplendente: do afecto, da compreensão, do amor, da coesão…

– Deixemos de ser a Família, mutilada, stressadas, só… no Palco da Vida!

Lutemos pela união, pelos laços indissolúveis!…

Lutemos por uma FAMILIA GRANDE E UNIDA… para que esta não tenha pertencido apenas a um passado, esboçado por velhos retratos, ou vagas reminiscências …

Filomena Camacho ( Redactora  em Londres- Inglaterra)


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